Ok, senhores e senhoritas - ou seja, meus caros leitores.

Estou sem internet em casa, alm de estar estudando Final Cut e After Effects. Ou seja, t sem tempo e sem meios. Arrumei uns livros pra ler tambm, t dando uma de intelectualide besta, enfim.

Portanto, aguardem. Eu no vos abandonei! Nem nunca o farei!!! Mr. Ed, Paulinho Japa, Angelina Krger (Alis, arrumei um namorado da sua raa pra voc: Karsten Hulk! Imagine ter um filho chamado Krger Hulk! Um super-heri palmeirense praticamente, o novo messias, um dolo nacional!), Alex Castao, Thiane Gatona Loureiro, Chileno Brother (ou Hermanito, para os ntimos), Caio Angel, o futuro Mr. Krger: o prprio Hulk, que um alemo com um Portugus muito bom, que inclusive leu o e-mail no qual eu chamava os alemes de "esquisitos" (vergonha!); Bni (o Irlands voador) - meus fiis leitores - aguardem!

Os novos captulos, j intitulados, viro em breve:

"Eu ainda no joguei uma banana de dinamite no Ita?"
"Mario Prata me mandou dizer que ele se masturba na frente da webcam" - Esse quentssimo! Mas no v pensando que o cidado tarado, no. Mr. Silver leu o Sbaile.zip.net e me deu toques sobre literatura, famlia, portas que batem com o vento, cigarros e viagra. Esse o homem!
E por ltimo, mas no menos importante:
"Como sobreviver no 1 mundo?"

Continuem lindos e isso a! Daqui a pouco eu t de volta!


Escrito por Srta. Sbaile s 21h32
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Quando tudo na vida faz sentido - Grand Finale

Preferi no comentar, nem conversar mais. O cara era to esteta que hoje, provavelmente, ele gay, estilista e est trabalhando com a Virgnia. Dizendo Divaaaaa escultural em bravos pulmes para as modelos da agncia.

 

Gay ou no, ele perdeu a chance dele, porque a Virgnia, alm de muito simptica e bonita, , hoje, modelo internacional e foi capa da Trip. Enquanto ele, muito provavelmente, vai se casar com a Miss Canavial, ter filhos caipiras, famlia caipira e emprego caipira. A, a mulher dele vai engordar, e ele vai tra-la com a caixa do supermercado que, por sinal, bem meia boca, meio gordinha, com pernas finas e unhas dos ps pintadas com esmalte escuro mas no, ele no se importar mais com isso, acreditem!

 

Um ltimo comentrio antes de descer do nibus. Comentrio meu, por sinal:

 

- Sabe de uma coisa?

 

- Sim?

 

- Voc se parece com o Christian Fitipaldi.

 

- Ah, todo mundo me fala isso.

 

Desci.



Escrito por Srta. Sbaile s 19h09
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Quando tudo na vida faz sentido - parte III

- , que bom pra voc. Digo, que ela malhe.

 

- Nem me fale.

 

Dr. James! Dr. James! Cad voc nessas horas difceis?

 

Eu no estava acreditando que aquele cara pudesse ser to absurdamente idiota. Ento tentei contornar a conversa:

 

- Bebedouro... Eu j viajei com uma menina de Bebedouro.

 

- A cidade to pequena que talvez eu conhea. Lembra o nome?

 

- Virgnia. Virgnia Z.

 

- Ah, voc pegou um nibus com a Virgnia, huh?

 

- Foi o que acabei de falar. Conhece?

 

- Ah... A Virgnia... ...

 

- Isso um sim, suponho.

 

- Fiquei com ela uma vez.

 

Uh! Catador do matagal!

 

- Que mundo pequeno!

 

- Pra voc ver...

 

- Ela... linda.

 

- .

 

Ele ficou quieto.

 

- No deu certo por qu?

 

- O qu?

 

- Voc e a Virgnia...

 

- Ah! Eu no estava muito interessado naquela poca.

 

- Hoje voc est?

 

- Tambm no, mas hoje ela est linda. H um ano atrs, acredite, ela era bem gorda!



Escrito por Srta. Sbaile s 19h08
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Quando tudo na vida faz sentido - parte II

Uma hora depois.



- Nossa! Onde estamos? ele perguntou.



- Quase em Jaboticabal. eu respondi.



- Espero que eu no tenha roncado na sua orelha durante essas quatro horas.



- No, no roncou. Quer chiclete?



- Ah, sim. Obrigado.



- De nada. Indo pra onde? Como bom pensar que voc criativo s vezes... Ai, ai.



- Bebedouro. E voc?



- Jaboticabal. O que estava fazendo em So Paulo?



- Fui visitar uma antiga paixo. Bicho, falar antiga paixo muito brega.



- Uma antiga paixo, huh?



- , voc sabe...



- , entendo.



Ele sorriu como se eu no estivesse ao lado dele, e num suspiro de quem fez muito sexo durante o feriado, soltou:



- Foi timo.



Na boa, que filho da puta!



- Ah, que sorte a sua, hein?



- Olha, tenho umas fotos dela!



Como se eu estivesse interessada.



- Linda. Parabns.



- Ela malha. Gosto de mulheres que malham.



E eu gosto de homens que se vestem de elefantinho da Parmalat e gritam: Me domine, fera voraz! enquanto mexem a trombinha.



Tipo, esse comentrio dele foi mais broxante que meu pensamento em off. Srio mesmo!




Escrito por Srta. Sbaile s 19h05
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Quando tudo na vida faz sentido

Ah, que triste era ter que voltar quela vida idiota de interior.

 

Terminal Tiet.

 

E eu me perguntando quem seria o prximo personagem da saga. O infeliz que viajaria ao meu lado.

 

O nibus chegou e eu fiquei l, olhando as pessoas, imaginando qual delas seria. Comprei uma coca-cola e esperei que todos entrassem, fui a ltima. Detesto filas, principalmente quando pra entrar num nibus que vai at Barretos com uma parada estratgica nela: a maravilhosa Jaboticabal.

 

Ao meu lado, um cara bem bonito.

 

Aos treze anos eu no tinha esse tipo de pensamento com freqncia. Achava que todos os homens eram bestas. Ainda acho. Mas agora sou adulta... E heterossexual.

 

- Oi. falei sorrindo.

 

- Oi ele respondeu sem sorrir.

 

Caipira, basicamente.

 

Seria legal se ele falasse comigo. Tenho me sentido um pouco sozinha, ser xavecada no seria ruim, mas sei l... acho que ele no est afim.

 

Tento puxar papo? Hmmm... Melhor no.

 

Talvez, ele s seja tmido. Se eu puxar papo, de repente... sei l... Ah, Sbaile, idiota, ele nunca xavecaria voc!

 

Como no? Eu sou uma diva!

 

Quarenta minutos depois.

 

Mas... Se eu for falar com ele, como devo comear? O tpico Indo pra onde?

 

No! Isso coisa de gente sem criatividade, e eu tenho uma criatividade absurda, tenho que mostrar isso.

 

Duas horas e meia depois:

 

Fao algum comentrio sobre poltica?

 

Droga... Ele dormiu.



Escrito por Srta. Sbaile s 19h05
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O retorno - parte IV

- Wagner, Vivaldi, Debussy, a trilha da novela O Clone e uma coletnea de anos 80.

 

- O Clone? Que brega voc !

 

- Muito, n?

 

- Vamos ouvir essa de anos 80! Me empresta um fone.

 

This is the day The The.

 

- Putz, minha juventude est vindo tona, Srta. Sbaile.

 

Trinta minutos depois:

 

- Nossa! Mudou para anos 50. Adoro Johnny Rivers!

 

- And its too late to say Im sorry

 

Quatro minutos depois:

 

- Oh yes, Im the greeeeaaat preteeeendeeee-eee-eeer, preteeeeending that Iiiiiim doing weeeee- eeellll

 

Um minuto depois:

 

- E no que j estamos nesse caos de So Paulo, Srta. Sbaile.

 

- .

 

- Bom, foi muito bom conhec-la. A Srta. tem um gosto musical sem igual.

 

Silncio.

 

- Ah, foi bom te conhecer tambm. Espero que os mortos no te dem muito trabalho aqui em Sampa.

 

- Malditos mortos! Tomara que todos eles morram um dia.

 

- Engraado voc, hein Dr. James!

 

Desci com a mesma mala preta de sempre e a sensao de que no sabia nada sobre o Dr. James. No sabia se ele tinha famlia ou filhos, de onde ele era ou quais eram os hobbies dele. Ns s tnhamos conversado trivialidades o tempo todo. Eu nunca mais veria o Dr. James, nem a Virgnia, no entanto, por cinco horas, foi comigo que estas pessoas interagiram e abriram seus sonhos, planos, gostos musicais e piadas.

 

Nessa hora, eu me orgulhei por ter me dado uma chance. Uma chance de conhecer algum e passar horas falando sobre nada, ou sobre tudo. E, de repente, tudo fez mais sentido. A partir daquele momento, viajar deixou de ser um meio de chegar a um destino.

 

Eu me senti, pela primeira vez, uma colecionadora de histrias.



Escrito por Srta. Sbaile s 01h18
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O retorno - parte III

- A extra o globo ocular do morto, j que ele ia de olhos fechados mesmo. O problema que a plpebra afundou, ento tivemos que comprar uma bolinha de pingue-pongue e revesti-la com algodo e esparadrapo.

 

- Ficou bom?

 

- No.

 

 Trs horas depois:

 

- No falei meu nome, n? Sou distrado mesmo. Sou o James, James...

 

- Bond?

 

- Quem mais extrairia um olho com uma tampa de caneta?

 

- O Marqus de Sade... Bom, eu sou C., C. Sbaile. Prazer.

 

- Todo meu, Srta. Sbaile.

 

Quando o Sr. James ele tinha um sobrenome alemo, no me lembro mais agora , me  ofereceu a mo dele para que eu pudesse cumpriment-lo depois de quatro horas de viagem acabou derrubando minha bolsa sem querer. Dela saram alguns trocados e umas moedas que eu nunca mais encontraria naquele nibus escuro. Alguns CDs caram  tambm:

 

- The Smiths? Voc gosta de Smiths?

 

- Gosto.

 

- Esse Morrissey mesmo uma bichona. Gosto dele!

 

- Adivinhe para que time o Morrissey torceria se fosse brasileiro?

 

- So Paulo?

 

- SO PAULO! Bibas do inferno! Aposto que o Sr. Palmeirense!

 

- Da poca em que ramos Palestra Itlia!

 

- Aaaaaaaeeeeeh!

 

- Quando surge o alvo e verde imponenteeee...

 

- No gramado em que a luta o aguardaaaaaaa...

 

- Sabe bem o que vem pela frenteeee...

 

- Calem a boca, Palmeirenses! algum corinthiano sem educao gritou do fundo do nibus.

 

S podia ser cotinthiano, afinal, todos ns sabemos que lugar de corinthiano nos fundos.

 

- Corinthiano nojento. Aposto que fez supletivo.

 

- , isso no caso dele ter dado sorte na vida, seno corremos o risco de estarmos viajando com uns nove quilos de cocana que esse viado deve estar carregando at So Paulo. Mas me diga, o que mais voc tem de CD a?



Escrito por Srta. Sbaile s 01h17
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O retorno - parte II

- O Sr. qumico?

 

- No, mdico.

 

- Que tipo de mdico?

 

- Legista. O tipo que v morto.

 

- Esse tipo legal! mas no deve dar muita grana, j que ele morava em Jaboticabal e estava pegando um nibus!

 

- O problema que no tenho muito com quem conversar.

 

- Haha! Imagine. Chega um morto l e o Sr. pergunta: Nossa, voc est horrvel. O que aconteceu?

 

- J pensou se ele responde?

 

- J aconteceu de algum responder?

 

- J.

 

- J?

 

- , sim.

 

- E o que voc fez?

 

- Enfiei a seringa de quetamina na aorta dele.

 

- Srio?

 

- Claro que no.

 

- Que droga! Seria demais se isso tivesse acontecido!

 

- Qual foi o morto mais bizarro que voc j viu?

 

- Geralmente so os sem cabea.

 

- Ainda usam guilhotina no canavial?

 

- Voc nem imagina. Algumas pessoas so muito criativas ao matarem.

 

- J aconteceu de vocs no encontrarem a cabea e ele ser enterrado s com o corpo?

 

- J. Mas a usamos nossos artifcios legistas para reparar esse erro. Tipo colocar uma abbora de Halloween no lugar e mandar escrever na lpide: Jaz aqui este homem que morreu vivendo um conto de fadas.

 

Eu gostei desse cara.

 

Uma hora e meia depois:

 

- ... e o olho dele saltou na minha mo devido a presso perifrica. Eu peguei uma tampa de caneta Bic e tentei enfiar, mas aquela porra tava inchada pra caralho. Pensei: fodeu, o cara vai sem olho pro caixo!

 

- No acredito! E a?

 



Escrito por Srta. Sbaile s 01h17
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O retorno - parte I

Feriado.

 

Oba! Hora de voltar a So Paulo, ver meu quarto, minhas amigas queridas, minha me, minha irm, minha maconha!

 

nibus.

 

So Paulo! So Paulo! So Paulo!

 

Chupem, caipiras catlicos de merda! Quatro dias em So Paulo! Yeah!

 

Chupe, maldita aula de violino!

 

Chupe, literatura luso-brasileira!

 

Chupe, exerccio 5.9 de Biologia!

 

Chupem, todos vocs! Eu odeio o interior!!!

 

Ao meu lado, um homem quase velho.

 

Abri meu livro de Qumica, porque eu tinha prova na segunda de manh. Tinha cinco horas no nibus para estudar todos aqueles tomos babacas.

 

- Qumica?

 

POR QUE AS PESSOAS INSISTEM EM FALAR COMIGO?

 

- .

 

- Voc gosta de Qumica?

 

- No.

 

- No?

 

- . No.

 

- Est em que srie?

 

- Oitava.

 

- Camada de valncia?

 

- .

 

- Voc no gosta de falar?

 

- No.

 

- Tudo bem.

 

Silncio.

 

Li o captulo e fui fazer o primeiro exerccio.

 

- Voc no pode tirar esse tomo da, isso um composto covalente!

 

No, ele no ia me deixar em paz.



Escrito por Srta. Sbaile s 01h15
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Dias de escola particular - parte II

A Sra. Guimares continuava me cumprimentando normalmente.

Aula de Biologia.

- Voc fez o trabalho? O Ricardo, que sentava atrs de mim.

- No, eu no fiz.

- Esse trabalho vale oito pontos, Sbaile!

- Eu sei. Mas eu no sabia como fazer.

- Eu sei. Toma, eu fiz um extra pra voc.

- Mentira!

- Vocs paulistanos so mesmo mal educados, no?

- Desculpe. Obrigada. que... Como voc sabia que eu no faria?

- Acho que depois de uns meses analisando voc da mesa de trs, consegui algumas pistas de padres comportamentais. Voc no o tipo de pessoa que entrega trabalhos de Biologia na data certa.

- Claro que sou. Voc no sabe nada sobre mim!

- Vou anotar suas grosserias como um ato de defesa no meu caderno Como C. Sbaile se comporta, talvez causado por traumas de infncia.

- Vou ser sua tese de primeiro colegial agora, ?

- Est disponvel s teras?

- Caipira idiota!

- Que fez um trabalho extra pra voc.

- No quero o seu trabalho.

- uma pena, est impecvel.

- Srta. Sbaile, seu trabalho na mesa, por favor! Sra. Matsumoto, professora.

- D esse trabalho aqui, depois te pago de algum jeito.

Risos dele, no meus.

O Ricardo tinha acabado com a minha idia de que todos os interioranos do mundo eram idiotas. Que desgraado! Ele no podia fazer isso!
O fato de ele ter feito meu trabalho, analisado meu padro de comportamento e feito uma boa ao para algum que nunca nem sequer havia falado com ele provavam uma superioridade incrvel... E o sobrenome dele no Sbaile! E ele um Caipira!

Um caipira jamais poderia ser legal!

Dois dias depois disso, eu e o Ricardo estvamos to ntimos que os professores tiveram que trocar a gente de lugar. Ele era um nerd nato, tirava notas incrveis e me passava todas as colas. Quando separaram a gente, nos comunicvamos por bilhetes ou linguagem de sinais. E foi ele que me ensinou a falar Mulher, voc uma diva!.

- Jennifer Lopez uma diva.

- Ricardo, Jennifer Lopez uma puta, e uma devassa que deu certo.

- E voc uma devassa que deu errado e mooooorre de inveja!

- Jennifer Lopez lixo musical. No me faa ter vergonha de ser sua amiga!

- Ai Sbaile, voc um caso perdido.

- Cala boca, caipira audacioso!

- Toma, fiz seu trabalho de Portugus.

- Valeu.

- Ricardo...

- Qu?

- Qual a capital do Equador?

- Ai, no acredito que voc ainda est fazendo o trabalho sobre os pases emergentes!

- Ricardo!!!

- Que , Sbaile?

- Qual a maldita capital do Equador?

- Quito!

- Ricardo...

- Sbaile... chega!

- Qual a principal atividade que mantm o PIB do Equador em 6,2 ao ano?

- Exportao de produtos erticos.

- Valeu.

- Sbaile!

- Qu?

- Bananas!

- Como assim, bananas?

- A economia do Equador baseada na exportao de bananas, no de produtos erticos, animal!

- E bananas no so produtos erticos?


Escrito por Srta. Sbaile s 02h34
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Dias de escola particular

- Segundas, quartas e sextas-feiras voc correr 45 minutos antes da aula de natao, a qual dura uma hora. De segunda sexta de manh, escola. s tardes de tera e quinta sero reservadas para Solfejo e Prtica do violino. Aos sbados, Arranjo.

- Tudo bem, v.

- Est empolgada?

- Muito. no, eu no estava!

- Aqui voc far novos amigos e ter tempo de se preparar para a faculdade, tocar o violino impecavelmente quando estiver no terceiro ano, e pode freqentar as minhas aulas de pintura e desenho se quiser.

- Vai ser... timo. no, no ia ser timo!

- muito importante que voc mantenha em mente que vai comear uma nova vida, sem complicaes e, mais que tudo: dedicando-se aos estudos.

- , eu sei.

Acontece que a nica maneira de me manter longe de brigas era ficando calada. Ento optei por no falar. No falei. Nem fiz esforos para fazer amigos. Permaneci calada durante meses, dia aps dia na escola, eu no falava.

E as aulas de violino que eu tanto gostava, comearam a se tornar um drama a medida que eu j no entendia mais nada do que o professor explicava. No entendia nada de nada, o ensino no interior era extremamente superior.

Aula de Geografia.

- Voc a menina de So Paulo, n? Perguntou a Sra. Guimares, professora.

- Sim.

- Voc quieta.

- So espanhis?

- Desculpe?

- Seus brincos. So espanhis?

- Ah, so. So sim. Como voc sabe?

- Gosto de brincos espanhis. Minha me usa.

- Ela foi Espanha?
- No. Minha av foi e trouxe a ela de presente. Mas ela sempre usa.

- Voc se mudou pra c com a sua me?

- Silncio.

- Srta. Sbaile?

- No... No... Ela... Ela ficou em So Paulo.

- Voc veio com seu pai, ento?

No... No, no era nada disso. Eu nem sequer sabia onde meu pai estava morando naquela poca. A Sra. Guimares estava me forando a declarar que eu havia sido expulsa porque ambos no me queriam em casa, e o fato de eu permanecer quieta era porque no queria me meter em encrenca. A eu provaria que eles estavam errados, que eu era uma boa menina, capaz de coisas incrveis como tirar notas boas, tocar violino, praticar esportes e desenhar. Naquele momento, tudo veio tona porque nem mesmo o violino eu estava conseguindo tocar da maneira correta e eu tive uma crise de choro.

Eu chorava tanto que no conseguia mais respirar. Tiveram que me tirar da sala.

A Sra. Guimares ficou muito preocupada comigo e me fez sentar nas escadas enquanto ela ia buscar gua. Depois me abraou e no falou mais nada, nem eu.

Depois desse episdio, os malditos caipiras comearam a me achar estranha, e comentar sobre mim. Aquilo me irritava um pouco, mas eu preferia continuar sem falar.


Escrito por Srta. Sbaile s 02h32
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No Balano do Buso - parte IV

- , voc tem uma certa pinta de modelo sim.



- Estou tentando.



- Bom, boa sorte. Se um dia voc ficar famosa, poderei dizer que sentei ao seu lado no nibus.



- Tomara! Alis, para que voc no se esquea, caso eu fique famosa: Virgnia Z.



- C. Sbaile.



H trs horas de viagens, eu e a Srta. Z. estvamos rindo e reclamando sobre o universo feminino. Metendo o pau no interior e nos homens ignorantes que l residem. Paramos no posto e pedimos cerveja como se aquilo fosse nosso ato de libertao. Afinal, eu tinha treze, ela quinze.



A Srta. Z. me contou muitas coisas sobre a vida dela, e eu no contei absolutamente nada da minha. A real que ela era uma menina comum, que levava uma vida besta de interior, e eu era uma sociofbica em potencial, cheia de dramas e traumas. Ento preferi saber sobre a vida dela, antes que ela comeasse a perguntar sobre a minha!



Dentre as histrias da Srta. Z., lembro que ela era apaixonada por um cara, e um dia ela o viu numa festa, ele estava bbado e eles ficaram juntos. Depois de um tempo, ele desapareceu por uns quarenta minutos e, quando ela se deu conta, ele estava dando uns amassos com a amiga dela no corredor.



- Que filho da puta!



Ela sorriu:



- Na poca foi trgico, hoje engraado. Ele foi to cara-de-pau que eu nem consigo ter raiva. coisa pra rir, no pra lamentar.



- Mas voc linda. Por que ele te largou pra ir beijar outra?



- Homens.



- Que homem esse, hein? Uh la la! Ele era bonito?



- Mais ou menos. Na poca, eu achava. Parecia o Christian Fitipaldi.



- . Bonito.



O tempo passou to rpido que antes de terminarmos a conversa, eu j havia chegado. A Srta. Z. me passou os contatos dela para que pudssemos conversar de vez em quando, entretanto... Eu ainda tinha pnico de vida em sociedade, por isso nunca mais a vi, nem escrevi, nem sequer mandei um e-mail. Eu sabia que no escreveria e que nunca mais a veria. De fato, aliviada.



Desci do nibus.



Escrito por Srta. Sbaile s 01h25
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No Balano do Buso - parte III

Continuando o dilogo:

 

- Saquei.

 

Silncio.

 

- Vai visitar algum em Jaboticabal?

 

O que eu gostaria de ter respondido:

- Sim, t pra vender minha alma para o Capeta do Canavial.

 

O que eu, de fato, respondi:

- Estou me mudando para l.

 

- Por qu?

 

O que eu gostaria de ter respondido:

- Porque eu gosto de mato, caipiras, gente idiota, meio do nada, msica sertaneja e me esfaquear de tdio aos domingos enquanto assisto Banheira do Gugu.

 

O que eu respondi claramente porque sou bundona:

- Porque... Bem... Porque... Porque vou estudar msica no conservatrio de Ribeiro Preto.

 

Era muito humilhante dizer que fui expulsa de casa aos treze anos?

 

- Ah, e o que voc toca?

 

- Punheta, todo sbado de manh. t, vocs j sabem! Eu no respondi isso!

 

- Violino.

 

- Nossa, que legal! Ento voc gosta de msica clssica?

 

Vem c de novo... Ela no vai parar de me encher o saco?

 

- .

 

- Legal.

 

E ento ela se virou para a janela, quieta, como se tivesse sido absolutamente ignorada por mim. O que de fato aconteceu. Fiquei aliviada. Virei para o outro lado e comecei a pensar na quo ridcula minha vida poderia ser numa cidade chamada Jaboticabal. E preferi voltar a falar com ela...

 

- Voc...

 

- Sim? Por que ela no parava de sorrir?

 

- Voc modelo, no?

 

Sorriso tmido.

 

- Pareo?

 

Que merda toda essa? Tava parecendo um comeo de romance do Woody Allen, tipo Todos dizem eu te amo... No qual, obviamente, eu era o Woody Allen e ela a Julia Roberts!

 

 



Escrito por Srta. Sbaile s 01h24
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No Balano do Buso - parte II

Eu, sentada em cima de uma mala velha no corredor do terminal Tiet.

 

E ento, ali, uma das coisas mais impressionantes que meus olhos adolescentes jamais veriam novamente: Com mais de 1.80m de altura e incrveis olhos verdes, ela descia as escadas da rodoviria colecionando olhares de todos os que pegavam nibus porque no tinham dinheiro para comprar um carro.

 

Fantstica! Absolutamente bem vestida! Uma diva!

 

- Mas que vaca!

 

Lentamente, ela veio se aproximando de mim.

 

- Era s o que me faltava, essa vadia metida a modeleca ir pra Jaboticabal!

 

Pois , ela ia!

 

Olhando para ela assim como um palito de sorvete olha para um poste, via tudo que um dia, aos cinco anos de idade, eu pensei em ser. E, mesmo que de alguma forma eu negasse, ainda queria ser aquilo! Aquilo com 1.80m, aquilo impecavelmente bem vestida, aquilo com avassaladores olhos verdes, aquilo que era pelo menos oito quilos mais magra que eu, mesmo eu tendo 1.62m!

 

Entrei no nibus e pensei comigo mesma:

 

- J pensou se eu sentasse do lado da modeleca? Ela deve ser nojenta. Fresca. Idiota. Metida. Besta. Burra! ... Isso! Ela deve ser burra! Modelos so burras, todo mundo sabe disso... alm do mais, se essa zinha a fosse alguma coisa, nem estaria andando de nibus. Talvez ela nem seja modelo, s um travesti reprimid....d......

 

-.....do.

 

No podia acreditar! No assento ao lado do meu, sentada como uma lady inglesa, l estava ela, impressionantemente estonteante.

 

Fiz a cara mais de filha da puta que consegui fazer e sentei calada.

 

- J no basta ser expulsa de casa, ir pra essa merda de cidade idiota que se chama Jaboticabal, agora ainda tenho que agentar cinco horas num nibus com essa cavala desengonada de quase dois metros! Que vida!

 

- Quer chocolate? ela me ofereceu sorrindo.

 

- No, obrigada.

 

- De nada. Indo para onde?

 

- Mxico. Resolvi ir de nibus at l! pensei, mas no tive coragem.

 

- Jaboticabal.

 

- Voc de l?

 

- No, no tive essa sorte. Voc?

 

- Tambm no. Sou de Bebedouro. Logo depois de Jaboticabal.

 

timo. Pelo menos sabia que no ia precisar v-la frequentemente.

 

Alis... Bebedouro? Vem c, quem inventou esses nomes estpidos? E por que os nomes de cidades interioranas do Rio so muito mais legais dos que os de So Paulo? Cacete!



Escrito por Srta. Sbaile s 01h22
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No Balano do Buso...

Desde que comecei esse blog, muitas pessoas comearam a pensar que a minha vida fcil assim: Paris, Tquio, Milo, Nova Iorque, e por a vai. Por isso decidi desmistificar a Sbaile que vocs pensam que conhecem e apresent-los a uma nova mulher: Sbaile a dura!

 

A vida nunca foi fcil para essa proletria. Desde cedo, aos trezes anos:

 

- Sbaile, no d mais! Voc no tem mais espao nessa casa!

- Mas me...

- J chega! No quero mais ouvir reclamaes da escola, brigas com colegas, brigas com seu pai, at com o cachorro voc briga... E... Pra de espancar a sua irm enquanto eu falo!

- Mas ela rasgou meu caderno! E esse cachorro me odeia... No tenho culpa!

- No tem jeito! Voc no aprende a se comportar! Vou te mandar para a casa da sua av em...

- No me! Por favor, no!

- Sim Senhora!

- No! Eu imploro!

- Voc vai para... JABOTICABAL.

- Aaaaaaahhhhhh!

 

E esse se tornou o destino desta baixinha, gordinha, cheia de espinhas e complexos adolescentes. Fui enviada da catica metrpole aos confins do meio do nada, o qual leva o to aprazvel se assim se pode dizer nome de Jaboticabal.

 

No sei como sobrevivi ao fato de ser expulsa de casa e enviada a uma cidade chamada Jaboticabal. Por que meus pais nunca falaram: Ns a odiamos, v para um cruzeiro nas Bahamas, sua idiota!? Ou ento: No agentamos mais voc, por isso voc vai ficar seis meses num SPA em Aruba!?

 

A vida, meus caros, no justa.

 

Pois bem. L fui eu. Para o meio do nada. Morar com a Sra. Sbaile, a I.

 

Na rodoviria, sozinha:

 

- Uma passagem para Jaboticabal.

- S de ida?

- Sim Senhor.

- Seu RG por favor.

 

Nessa hora eu sabia que ele ia implicar por eu ser menor de dezoito. Saindo pra fora do bolso, um chaveiro do Corinthians. Fui rpida:

 

- Serve a carteira de motorista?

- Sim.

 

Procura, procura, procura.

 

- Ser que o Timo leva o Paulista esse ano? Vero de 1999 Campeo: Corinthians. Eu, Palmeirense, crescida na Mooca. Malditos corinthianos, maloqueiros, desgraados!

 

- Esse o ano, minha garota!

- Vamos levar essa taa! Chupem Palmeirenses, porcos infelizes!

 

Gargalhada.

 

- Ai, droga. No est aqui. H tanto tempo no dirijo...

- Ah, a carteira de motorista? Tudo bem, j imprimi seu ticket.

- Muito obrigada.

 

- Corinthiano idiota! Por isso vai passar a vida imprimindo bilhetes rodovirios! eu pensava enquanto caminhava at a minha plataforma de embarque.



Escrito por Srta. Sbaile s 01h21
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