E agora, aonde eu enfio o LIS - parte II

Quinta-feira, 8:00hs. Telefone:

 

“Alô! Gisleine?”

“Não, é a Angelina, tudo bom Sbaile?”

“Puta merda Angelina, mas isso é hora de ligar pra alguém?”

“Você não acorda às sete?”

“Acordo, mas é cedo, tá um calor do caralho e eu tô de mal humor. Tem essa tal de Gisleine na minha vida agora.”

“Quem?”

“A Gisleine. Não conhece?”

“Hmmm... Não.”

“Deixa pra lá.”

“Eu to ligando pra saber se deixei a minha bolsa de maquiagens na sua casa.”

“Deixou, mas seu reparador de pontas já era. Sinto muito.”

“Ah, aquele reparador era uma droga mesmo.”

“Percebi. Da próxima vez vê se esquece algo mais útil.”

“Ai, tinha esquecido o porquê te amava.”

“Tá feliz agora que lembrou? Agora tenho que ir, senão perco o ônibus lotado e, conseqüentemente, perco minha linha de raciocínio sobre assassinato em massa se pegar um ônibus vazio.”

“Tá certo. Mando alguém pegar minhas coisas aí durante a semana.”

“Alright, Japa da minha vida.”

“Te amo.”

“Opa! Eu também!”

 

Desliguei.

 

8:08hs. Telefone:

 

“Cacete Angelina, me deixa ir trabalhar!”

“Sra. C. Sbaile? Aqui é a Gisleine do banco Itaú.”

 

CA-RA-FUCKING-LHO!

 

“Deixa que eu adivinhe: tá ligando porque o Itaú quer me oferecer o LIS?”

“Exatamente.”

“Gisleine, eu não preciso de LIS. Eu sou rica! Muito rica! Mega rica! Eu tenho grana a dar com pau! Eu sou tão rica que nem sei mais o que fazer com tanto dinheiro. E você está me oferecendo crédito? Há-há-há!”

“É que o LIS é só para cobrir despesas quando a sua conta, eventualmente, estiver com um saldo...”

“GISLEINE!”

“Sim?”

“Eu estou um pouco ocupada no momento, mas vamos fazer o seguinte: me passa o telefone da sua casa.”

“Como, Senhora?”

“É, me passa seu telefone.”

“Eu não estou entendendo.”

 

“Ora, veja bem, você está me ligando, na minha casa, me enchendo o saco, querendo oferecer o LIS. Eu nunca te vi na frente, eu nem sei quem você é, nunca fiquei bêbada e te beijei no bar, nem fizemos sexo ocasional. Mas não importa. Porque você me liga do mesmo jeito. Já que eu estou ocupada, fiquemos assim: você me passa o número da sua casa, e eu te ligo lá. Pode ser?”

 

“Posso te passar o número da agência do Itaú.”

 

“Gisleine, quer sair pra beber qualquer dia? Você tem uma voz sexy... E eu ando meio solitária, sabe? Aliás, a propósito Gisleine, você é gostosa?”

 

“Não estou interessada, Sra. C. Sbaile. Tenha um bom dia!”

 

Ela desligou.

 



Escrito por Srta. Sbaile às 23h57
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E agora, aonde eu enfio o LIS?

 

Segunda-feira, 9:00hs. Telefone tocando.

 

“Alô.”

“Senhora C. Sbaile?”

“Puta merda, só pode ser cobrança” – pensei. “Pois não?”

“Aqui é do Banco Itaú...”

“Malditos!” – pensei de novo.

“Eu sou Gisleine Barbosa e estou entrando em contato para oferecer o LIS do Banco Itaú. A senhora já sabe como funciona?”

“Não estou interessada.”

“Mas a Senhora sabe do que se trata?”

“Não estou interessada.”

“Não será cobrado nada em sua conta, Senhora.”

“Obrigada, tenha um bom dia, tchau!”

 

Eu costumava pensar que era uma pessoa cabeça aberta, e que poderia facilmente entender que todos os tipos de trabalho – exceto o tráfico de drogas e o crime organizado – são dignos. Mas o telemarketing... Meu amigo, o telemarketing!

O telemarketing é digno de explosão a bomba atômica, de genocídio, de raiva extrema e de estresse profundo!

 

Não que eu tenha me irritado muito com o fato da Srta. Gisleine Barbosa, ou seja lá qual for o nome da proletária brasileira que tira seu ganha pão tentando me empurrar uma estratégia de endividamento daquele banquinho safado que é o Itaú. O fato é que quando você se torna um “telemarketer”, você aprende a não desistir de infernizar a sua vítima nunca.

 

E neste caso, eu era a vítima da Gisleine.

 

Terça-feira, 8:00hs. Telefone:

 

“Senhora C. Sbaile?”

“Sim.”

“Aqui quem fala é a Gisleine Barbosa, do banco Itaú...”

“Diga lá Gisleine, minha querida, como vai a vida?”

“Eu estou entrando em contato para oferecer o serviço de LIS que o Itaú atenciosamente disponibiliza a Senhora...”

“Não, não Gisleine, acho que você não me entendeu direito. Eu perguntei como vai a vida.”

“Errr... È... Bem, obrigada.”

“Ótimo! Porque a minha vai uma desgraça Gisleine! E pra completar, hoje você me liga às oito da manhã, uma hora antes de eu sair de casa para pegar um ônibus lotado, me oferecendo essa picaretagem, essa sacripantagem e essa fanfarronice que o banco Itaú diz ‘atenciosamente me disponibilizar’!”

“Mas a Senhora já sabe que o LIS não terá nenhum custo na sua conta?”

“Não terá mesmo, porque eu vou mandar você e o LIS pro inferno se você não parar de me ligar. Tenha um bom dia!”

 

 

 



Escrito por Srta. Sbaile às 23h56
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Oi todos!

Já faz um tempo que não escrevo... Um tempão! Peço desculpas para os que lêem, ou costumavam ler o sbaile.zip.net. Mas por estar trabalhando muito agora, não tenho tido tempo para escrever. No entanto, retomarei os textos assim que conseguir.

Beijocas a todos!

Hey everybody!

It has been a while since I don't post anything... A long while! I'm sorry to the ones who read, or used to read the sbaile.zip.net. But for working like a dog I have no time to write at the moment. However, I'll write again as soon as I start working less.

Mu best regards,

Sbaile

Escrito por Srta. Sbaile às 00h25
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